No jogo, o Euro reúne 24 seleções em seis grupos de quatro — o formato `groups24` — com o mata-mata a começar logo nos oitavos-de-final (oitavos, quartos, meias, final), sempre a jogo único e sempre em terreno neutro, como convém a um torneio disputado inteiro num só país anfitrião. Ganhar tudo desde a fase de grupos até ao título são sete jogos sem perder — o selo do 7-0 desta prova, mais curto do que o 13-0 da Champions porque a fase de grupos é a uma só volta e nenhuma eliminatória se joga a duas mãos. A base do jogo tem dezassete edições semeadas, de 1960 a 2024.
Há uma curiosidade que só a régua «a nota é da prova, não da carreira» torna possível: o Mr. Euro não é o mesmo Cristiano Ronaldo que a Champions coroa. São duas cartas distintas, curadas em separado — uma mede o que ele fez pela seleção portuguesa, a outra o que fez pelo clube —, e calha ser o mesmo jogador a dominar as duas histórias. É a regra do jogo a funcionar à vista, não uma coincidência de dados.
O melhor de sempre da prova
Cristiano Ronaldo — 2016
Cristiano Ronaldo é o recordista absoluto do Euro: 14 golos (o segundo colocado da história da prova tem 9), 30 jogos e 2.641 minutos em campo, com golos em cinco edições diferentes — mais ninguém na história da competição passou de três. A carta é da edição de 2016, o único título europeu de Portugal, e é essa conquista que fecha o argumento: mais do que o recordista de golos e de jogos da prova, é o jogador que também a venceu. O rival que esta escolha teve de bater tem nome, e está neste mesmo onze: Michel Platini, que em 1984 fez 9 golos em 5 jogos e é, com 96 pontos, a carta mais alta de toda a competição — dois acima da deste 100, que divide os 94 com o Cruyff de 1976 e o Zidane de 2000. E por jogo a conta inverte-se, não por pouco: 0,467 golos contra 1,80, quase o quádruplo. O que decide a favor de Cristiano Ronaldo não é por isso o total de golos, que cresce com o tamanho do torneio — nas cinco primeiras edições a fase final tinha quatro seleções e o caminho para o título eram dois jogos, hoje são sete —, mas a largura: marcar em cinco Europeus diferentes, quando mais ninguém marcou em mais de três, mede o domínio de uma história inteira e não o auge de uma edição. É a régua deste jogo a funcionar à vista: a carta de 100 é de quem manda na prova ao longo do tempo, nunca de quem teve lá dentro o melhor mês da vida.
GK
Iker Casillas — 2012
Iker Casillas é bicampeão europeu, em 2008 e em 2012, e capitão de Espanha. A carta é da edição de 2012 — a da final em que não sofreu qualquer golo, a fechar o ciclo mais dominante da história recente da seleção espanhola sem deixar ninguém marcar-lhe na maior partida da prova.
RB
Sergio Ramos — 2008
Sergio Ramos venceu dois Europeus — 2008 e 2012 — e é a única pessoa de toda a prova a fazê-lo neste lugar: dos 18 campeões de lateral-direito titular, os outros 17 têm um só título. A carta é da edição de 2008, onde os dados o semeiam titular nesta posição (a de 2012 está semeada a central, com o lateral-direito como alternativa). Ocupava este lugar o Berti Vogts, cuja única campanha na prova — a final de 1976, como vice-campeão — não tem título nenhum nos dados; o onze campeão de 1972 está semeado com outro lateral-direito (Höttges). Não se sabe se o Vogts esteve nesse plantel sem jogar a final; mesmo que tivesse estado, continuaria atrás de um bicampeão.
CB
Franz Beckenbauer — 1972
Franz Beckenbauer foi campeão e capitão da Alemanha Ocidental em 1972, e voltou a chegar à final em 1976, desta vez como vice-campeão. É o primeiro dos dois centrais do onze de ícones do Euro — o jogo dá dois lugares a essa posição porque todas as formações pedem, no mínimo, dois centrais, e um onze inteiramente azul seria impossível com um só.
CB
Matthias Sammer — 1996
Matthias Sammer foi campeão europeu pela Alemanha em 1996 — um dos 34 centrais campeões da prova, todos com um só título. Entrou à frente de dois rivais com a mesma nota, 88: o Rijkaard, campeão em 1988, e o Baresi, com 90 a nota de central mais alta de toda a prova mas sem título nenhum no Euro — a régua ordena palmarés acima de nota, e não é excepção aqui. Escolher o Rijkaard teria dado duas cartas à Holanda de 1988, ao lado do Van Basten; o Sammer não repete nenhuma edição já presente no onze e é a primeira carta da Alemanha de 1996. O lugar ficou vago quando o Sergio Ramos subiu para lateral-direito, na carta em que os dados o semeiam titular nessa posição: 2008.
LB
Giacinto Facchetti — 1968
Giacinto Facchetti foi campeão e capitão de Itália em 1968, o lateral-esquerdo que abriu caminho ao papel que a posição viria a ganhar no futebol moderno — o primeiro dos dois títulos italianos da prova.
CDM
Sergio Busquets — 2012
Sergio Busquets foi campeão europeu com Espanha em 2012, o pivô que fez o tiki-taka funcionar — o jogador que segura o meio-campo por trás de Xavi e do resto da geração dourada espanhola.
CM
Xavi — 2008
Xavi foi eleito o melhor jogador do Euro 2008 e é bicampeão europeu — a carta é da edição em que o prémio individual coroou o início do ciclo espanhol que dominaria o futebol europeu na década seguinte.
CAM
Michel Platini — 1984
Michel Platini fez 9 golos em 5 jogos no Euro de 1984 — o recorde de uma só edição, que continua por bater mais de quatro décadas depois — e foi campeão e capitão de França, em casa. É o argumento mais completo do onze: o recorde individual e o título, na mesma campanha.
RW
David Silva — 2012
David Silva foi campeão europeu em 2012, abriu o marcador na goleada por 4-0 da final e entrou no onze do torneio dessa edição.
LW
Thierry Henry — 2000
Thierry Henry foi campeão europeu com França em 2000, com golo na prova e presença no onze do torneio dessa edição.
ST
Marco van Basten — 1988
Marco van Basten marcou 5 golos no Euro de 1988, incluindo o voleio da final que continua entre os golos mais lembrados da história da prova, e ergueu o único título europeu da história da Holanda.