No jogo, a Taça das Taças é a prova dos vencedores das taças nacionais: 39 edições, de 1960-61 a 1998-99, até ser fundida na Taça UEFA em 1999. O formato é o da prova inteira e não o regulamento de cada ano: 32 equipas, sem fase de grupos, quatro eliminatórias a duas mãos — primeira ronda, oitavos, quartos e meias — e a final a jogo único em campo neutro. Ganhar tudo são nove jogos, e não há selo de campanha perfeita: sem fase de grupos, um título em nove jogos não é a proeza que o jogo mede nas outras provas. A realidade foi mais desordenada, e a base de dados guarda as marcas dela: a final de 1960-61 jogou-se a duas mãos (a Fiorentina ganhou ao Rangers por 4-1 no total), e três finais empataram e repetiram-se — o Atlético de Madrid empatou 1-1 com a Fiorentina em 1962 e ganhou a repetição por 3-0 em Setembro, o Sporting empatou 3-3 com o MTK em 1964 e ganhou por 1-0 dois dias depois, o Chelsea empatou 1-1 com o Real Madrid em 1971 e ganhou por 2-1. Em cada uma delas o onze de cada carta é o do jogo em que a taça se levanta.
A base de dados desta prova é estreita: só tem campeões e finalistas, 78 plantéis, e os onzes que a UEFA publica para essas finais. Quem foi enorme na prova sem nunca alinhar numa final não tem carta e não pode ser ícone. É a taça europeia dos portugueses que não é do Benfica nem do Porto: o Sporting ganhou-a em 1963-64, na finalíssima contra o MTK, e o FC Porto foi finalista em 1983-84, derrotado pela Juventus por 2-1. E nos anos 60 a UEFA tratava como «ronda preliminar» o que era a primeira eliminatória de muitas equipas — o Dortmund de 1965-66 abriu com o Floriana, 13-1 no total —, por isso o jogo conta-a, com o peso mais baixo da escada.
Como em todas as provas do jogo, o 100 não é de quem fez a melhor campanha isolada — é de quem domina a história da prova, e a época da carta é só a que melhor o mostra. Na Taça das Taças esse jogador é o Rob Rensenbrink, o maior marcador de sempre, com 25 golos. O pantheon espalha-se pelas quatro décadas da prova, do Atlético de Madrid de 1961-62 ao Paris Saint-Germain de 1995-96, e é mais frágil nos defesas: a fonte não tem cortes nem defesas, só jogos sem sofrer golo, que são do clube tanto como do jogador, e por isso nesses lugares decidem os golos no mata-mata e nas finais quando os há. Dois lugares partilham clube e época — o Jones e o Peiró no Atlético de 1961-62, o Lama e o Le Guen no Paris de 1995-96 — e nenhum se desfez, porque a alternativa de cada um era uma final perdida e mudar de época seria maquilhagem.
O melhor de sempre da prova
Rob Rensenbrink — 1975-76
Rob Rensenbrink soma 25 golos em 35 jogos na Taça das Taças — o maior marcador de sempre da prova — e jogou as três finais seguidas do Anderlecht, de 1976 a 1978: ganhou duas e marcou quatro golos nelas. O rival mais próximo, Kurt Hamrin, tem as mesmas três finais, os mesmos dois títulos como titular e os mesmos quatro golos em finais, mas 15 golos na prova inteira; o Gerd Müller tem melhor rácio, 0,80 golos por jogo contra 0,71, e 20 golos, mas nenhum em finais. Contra o Rensenbrink conta o ataque do Anderlecht, 1,39 vezes a média da edição, o desconto da força da equipa. A carta é a de 1975-76: título, dois golos na final e oito golos em nove jogos, a melhor das suas três épocas.
GK
Bernard Lama — 1995-96
Bernard Lama foi titular nas duas finais do Paris Saint-Germain, campeão em 1996 e finalista em 1997, e tem o melhor rácio de jogos sem sofrer dos três guarda-redes que a prova pôs em duas finais com um título: 10 em 14 medidos, 0,71 por jogo, contra 0,65 do Stanley Menzo e 0,61 do Michel Preud'homme. A carta é a de 1995-96: título, a final sem sofrer golo e 2 golos sofridos em 7 jogos. É a escolha mais fraca do pantheon, e fica dita assim: a defesa do clube conta tanto como o guarda-redes.
RB
Angelo Anquilletti — 1967-68
Angelo Anquilletti chegou a três finais pelo Milan (1968, 1973 e 1974) e ganhou duas como titular, e marcou 2 golos no mata-mata de 1967-68, ambos na primeira eliminatória — o melhor rival, Laurent Fournier, não marcou nenhum, e tem um rácio de jogos sem sofrer melhor (0,76 contra 0,59), que aqui não manda. O Milan atacava a 1,10 vezes a média, menos do que o Paris do rival. A carta é a de 1967-68: título e 10 jogos em 10.
CB
Gilbert Van Binst — 1977-78
Gilbert Van Binst marcou 2 golos na final de 1978, ganha por 4-0 ao Áustria Viena — o acto mais pesado da régua da casa, e o único de um central entre os candidatos — e jogou as três finais seguidas do Anderlecht, duas ganhas como titular. Tem 12 jogos sem sofrer em 22 medidos. A carta é a de 1977-78: 9 jogos em 9, 3 golos sofridos em 8 medidos. É o lugar defensivo mais sólido do pantheon, porque tem um golo numa final.
CB
Paul Le Guen — 1995-96
Paul Le Guen foi titular nas duas finais do Paris Saint-Germain e marcou 3 golos no mata-mata, contra nenhum de Hugo Broos e de José Ramón Alexanco, e tem 12 jogos sem sofrer em 18 medidos — 0,67 por jogo contra 0,45 do Broos. A carta é a de 1995-96: título, 9 jogos em 9 e a final sem sofrer golo. O Broos tem mais uma final e um título como titular a mais, e o palmarés é o terceiro critério da régua; a fonte põe o Le Guen a central nas duas épocas, e ele ganha sem contar os golos.
LB
Alberto Di Chiara — 1992-93
Alberto Di Chiara jogou as duas finais do Parma, campeão em 1993 e finalista em 1994, e tem o melhor registo defensivo do lugar: 8 jogos sem sofrer em 13 medidos (0,62 por jogo) e 0,45 golos sofridos por 90 minutos, num clube que atacava a 0,81 vezes a média da edição, o que menos atacava dos três candidatos. Marco Bode tem mais golos no mata-mata, 3 contra 1, mas é um avançado escalado a lateral. Lugar de evidência muito fraca: ninguém tem mais de 9 jogos sem sofrer. A carta é a de 1992-93: título e 2 golos sofridos em 7 jogos.
CDM
Ronald Koeman — 1990-91
Ronald Koeman marcou 4 golos no mata-mata de 1990-91, três na primeira eliminatória e um na final contra o Manchester United, e soma 7 golos em 14 jogos na prova; Vincent Guérin e José Pirri, os rivais do lugar, têm 0 e 2 golos no mata-mata. A final foi perdida, a baliza do Barcelona com ele em campo não está medida, e o clube atacava a 1,73 vezes a média da edição — três razões contra, ditas por inteiro. A carta é a única dele, a de 1990-91.
CM
Jones — 1961-62
Miguel Jones tem, nas cartas de médio-centro, o K mais alto da prova: 23,07 contra 17,10 do Arie Haan, e 7 golos em 16 jogos, um deles na final de 1962, que teve repetição. Foi campeão como titular. A carta é a de 1961-62: título, 8 jogos em 10 e 5 golos; a de 1962-63 é a final perdida por 1-5 e não é defensável como o melhor ano. O François Van der Elst, que a fonte põe a avançado em duas das três cartas, mede o que fez como avançado, e não aqui.
CAM
Joaquín Peiró — 1961-62
Joaquín Peiró marcou 2 golos na final de 1962, que o Atlético ganhou depois de uma repetição, e 6 golos no mata-mata da edição: são 7 golos na prova, em 10 jogos. O rival, Josep Maria Fusté, tem os mesmos 7 golos mas perdeu a final sem marcar, e o Barcelona dele atacava a 1,58 vezes a média contra 1,16 do Atlético. A carta é a única dele, a de 1961-62.
RW
Kurt Hamrin — 1960-61
Kurt Hamrin jogou três finais por dois clubes — Fiorentina em 1961 e 1962, Milan em 1968 —, ganhou duas, marcou 4 golos nelas e soma 15 golos em 23 jogos na prova; o K dele é 43,85, contra 14,77 do segundo extremo-direito. A carta é a de 1960-61: título, golo na final e 5 golos em 6 jogos, 4 deles nos quartos-de-final. A de 1961-62 é a final perdida, e a de 1967-68 colidiria com o Anquilletti no Milan.
LW
Lothar Emmerich — 1965-66
Lothar Emmerich marcou 14 golos em 9 jogos na edição de 1965-66, ganha pelo Dortmund: 7 ao Floriana na primeira ronda (13-1 no total), 1 nos oitavos, 2 nos quartos e 4 na meia-final. Nas cartas de extremo-esquerdo o K dele é 21,82, contra 17,70 de Rob Witschge, e o volume decide o resto: 14 golos contra 6. Não marcou na final, e o Dortmund atacou a 1,88 vezes a média da edição — a goleada ao Floriana incluída —, o desconto da força da equipa, que conta contra ele. A carta é a única dele.
ST
Gianluca Vialli — 1989-90
Gianluca Vialli marcou os 2 golos da final de 1990 e chegou a três finais por dois clubes — Sampdoria em 1989 e 1990, Chelsea em 1998 —, ganhando duas: 19 golos em 34 jogos na prova, 17 deles no mata-mata. O rival, Gerd Müller, tem mais um golo no total e melhor rácio (0,80 contra 0,56), mas nenhum em finais; Oleh Blokhin marcou nas duas finais que jogou e ganhou ambas, mas tem 10 golos. A carta é a de 1989-90: título e 7 golos em 8 jogos.