A Ligue 1 é uma liga, e isso muda tudo. No Legends XI ela joga-se a vinte equipas e trinta e oito jornadas, todos contra todos, em casa e fora: não há final que salve uma época nem sorteio que perdoe um mês mau — campeão é quem somar mais pontos ao fim da temporada. Vai de 1948-49 a 2025-26 — setenta e oito épocas, com o campeão, o vice e o terceiro classificado de cada uma. A prova a sério nasceu antes, em 1932-33, mas os planteis dessas primeiras dezasseis épocas estão muito incompletos nesta base de dados — entre 3% e 88% dos jogadores registados, com seis anos completamente por preencher por causa da Segunda Guerra Mundial. A partir de 1948-49 a cobertura sobe para entre 91% e 105%, e é por isso que o pantheão desta prova começa aqui, e não em 1932.
Cada prova do jogo tem uma carta de 100, e ela não é do melhor jogador que por aqui passou: é de quem domina a história da competição. Não se conta a melhor época isolada — contam-se os golos, os títulos e os recordes acumulados ao longo de anos. A época escolhida para a carta é apenas a que melhor materializa esse domínio, e a régua é simples: tirando esse ano, continuaria a ser ele. Na Ligue 1 esse nome é Delio Onnis, o maior marcador de sempre da competição — mesmo tendo passado quase toda a carreira por clubes que raramente discutiram o título.
Há uma época desta lista que pede uma nota à parte: 1992-93. O Olympique de Marseille venceu esse campeonato em campo, mas o título foi revogado por um escândalo de resultados combinados e nunca reatribuído — a federação ofereceu-o ao Paris Saint-Germain, o segundo classificado, que recusou levantar uma taça que não tinha ganho a jogar. A tabela deste jogo mantém o Marseille em primeiro lugar nessa época, porque foi esse o resultado desportivo; mas fica dito aqui que, para a história oficial da prova, esse título está vago desde então — a mesma situação do Calciopoli italiano, décadas mais tarde.
O melhor de sempre da prova
Delio Onnis — AS Monaco 1977-78
Duzentos e noventa e nove golos na Ligue 1 — o recorde absoluto da competição, quarenta e quatro à frente do segundo colocado —, feitos quase sempre por equipas modestas: o Reims, o Tours, o Toulon, e o próprio Mónaco, que raramente foi favorito ao título nos anos em que ele lá jogou. Foi cinco vezes melhor marcador do campeonato, mais vezes do que qualquer outro avançado da história da prova. A carta é de 1977-78, e convém dizê-lo com todas as letras: não foi a época em que ele marcou mais golos numa só temporada — foi apenas a única das catorze que fez nesta prova em que o seu clube chegou ao pódio, porque os outros treze anos foram passados em equipas que terminaram a meio da tabela para baixo. Nesse ano marcou 29 golos, mais de um terço dos golos do Mónaco campeão. O rival mais próximo em números totais é Kylian Mbappé, com 191 golos registados até à data deste censo, à frente de um ataque que jogou a quase o dobro da força média da prova — contra o ataque quase sempre modesto que apoiou o Onnis.
GK
Grégory Coupet — Olympique Lyonnais 2005-06
Sete títulos seguidos, do primeiro ao último ano da grande dinastia do Lyon, sempre como guarda-redes titular — 324 jogos na prova e 151 partidas sem sofrer golos, mais de metade das que fez. A carta é de 2005-06, o quinto dos sete títulos seguidos.
RB
Manuel Amoros — AS Monaco 1987-88
Seis títulos ao longo de dois clubes diferentes, cinco deles como titular, em 312 jogos e catorze anos nesta prova. Foi também 82 vezes internacional pela França — mais do que qualquer outro lateral deste onze. A carta é de 1987-88, a época de título com o Mónaco.
CB
Marquinhos — Paris Saint-Germain 2018-19
Onze títulos — o recorde absoluto de sempre da prova, em qualquer posição —, dez deles como titular, ao longo de 326 jogos pelo Paris Saint-Germain. Nenhum jogador desta lista chega perto. A carta é de 2018-19, um dos onze anos de título.
CB
Robert Jonquet — Stade de Reims 1948-49
Cinco títulos, todos como titular, em 266 jogos e doze anos ao serviço do Reims. Foi capitão da selecção francesa no Mundial de 1958, a melhor campanha da história do futebol francês até então. É o segundo dos dois centrais deste onze, ao lado do Marquinhos, porque nenhuma formação do jogo alinha com um central só.
LB
Éric Di Meco — Olympique de Marseille 1989-90
Seis títulos ao longo de dois clubes diferentes, quatro deles como titular, em 186 jogos na prova. A carta é de 1989-90, a época de título com o Marseille.
CDM
Robert Herbin — Saint-Étienne 1963-64
Seis títulos, cinco deles como titular — nenhum outro médio-defensivo desta prova passa de cinco —, com 35 golos em 158 jogos ao longo de doze anos, todos ao serviço do Saint-Étienne. Começou médio defensivo e acabou a carreira recuado a líbero; voltou depois ao mesmo clube como treinador da dinastia dos anos 70, a que tinha ganho como jogador. A carta é de 1963-64, o primeiro dos seis títulos.
CM
Marco Verratti — Paris Saint-Germain 2014-15
Nove títulos, oito deles como titular, em 276 jogos na Ligue 1 — e 416 jogos ao todo pelo Paris Saint-Germain, contando todas as competições. A carta é de 2014-15, um dos nove anos de título.
CAM
Juninho Pernambucano — Olympique Lyonnais 2002-03
Sete títulos seguidos, do primeiro ao último ano da dinastia do Lyon, sempre como titular — 74 golos em 248 jogos, um número enorme para quem jogava recuado no meio-campo. A carta é de 2002-03, o primeiro dos sete títulos seguidos.
RW
Raymond Kopa — Stade de Reims 1959-60
Quatro títulos, todos como titular, 57 golos em 225 jogos — o criador do futebol do grande Reims dos anos 50, antes de partir para o Real Madrid e voltar. A carta é de 1959-60, o último dos quatro títulos com o Reims.
LW
Roger Piantoni — Stade de Reims 1957-58
Duzentos e três golos na Ligue 1 — o sexto marcador de sempre da competição —, três títulos com o Reims, e melhor marcador do campeonato em 1950-51. A carta é de 1957-58, o último dos três títulos.
ST
Hervé Revelli — Saint-Étienne 1966-67
Duzentos e dezasseis golos na Ligue 1 — o terceiro marcador de sempre da prova —, sete títulos, todos como titular, e duas vezes melhor marcador do campeonato. A carta é de 1966-67, o primeiro dos sete títulos, e a época em que marcou trinta golos.