A Copa Libertadores é o espelho da Champions do outro lado do Atlântico, e no jogo partilha exactamente o mesmo formato: `groups32`, 32 equipas em oito grupos de quatro a duas voltas — casa e fora, como na Champions —, seguidos de oitavos, quartos e meias a duas mãos e uma final a jogo único. É por isso que a campanha perfeita desta prova é também um 13-0: o mesmo número da Champions, e não o 8-0 do Mundial nem o 6-0 da Copa América — quem decide o tamanho do selo é o desenho do torneio, não o continente. Quem a ganha é coroado "Campeão da América". No jogo estão cobertas as suas 66 edições, de 1960 a 2025: 132 planteis, 1669 cartas e 1264 jogadores de 44 clubes diferentes.
Como em todas as provas do jogo, o pantheon não é de quem fez a melhor campanha isolada — é de quem domina a HISTÓRIA da prova, medida aqui em golos de sempre e em taças levantadas. E é um pantheon com assinatura própria: nem o Pelé, nem o Zico, nem o Passarella, nem o Neymar entram — todos passaram pela Libertadores, mas nenhum deixou nela os números, sobretudo de golos, que decidem este pantheon. O rei chama-se Alberto Spencer.
O melhor de sempre da prova
Alberto Spencer — 1960
Alberto Spencer é o melhor marcador de sempre da Copa Libertadores: 54 golos, um recorde por uma margem que nenhum outro artilheiro da prova ameaça — o segundo da lista tem 37. A carta de 100 é da edição inaugural de 1960, que ele venceu pelo Peñarol sendo também o melhor marcador do torneio. Equatoriano a jogar no Uruguai e tricampeão pelo Peñarol, é o critério deste jogo a funcionar: a Europa mal o conheceu, e ele continua a ser o rei absoluto desta competição.
GK
Miguel Ángel Santoro — 1972
O guarda-redes mais titulado da história da Copa Libertadores: quatro conquistas pelo Independiente, em 1964, 1965, 1972 e 1973 — mais do que qualquer outro guarda-redes que passou pela prova.
RB
Hugo Ibarra — 2003
Quatro títulos pelo Boca Juniors, em 2000, 2001, 2003 e 2007 — o número mais alto de um lateral direito nesta prova, e um número que ele divide: o argentino Commisso ganhou os mesmos quatro pelo Independiente, entre 1972 e 1975. Os dois empatam também em finais disputadas e em presenças, e nenhum dos dois deixou na competição um registo individual de golos que os separe. É o raro caso em que a escolha se faz sem margem, e vale a pena dizê-lo em vez de o esconder.
CB
Francisco Sá — 1974
O recorde absoluto de títulos da Copa Libertadores: seis, quatro seguidos pelo Independiente (1972 a 1975) e mais dois pelo Boca Juniors (1977 e 1978). Ninguém levantou o troféu mais vezes na história da prova.
CB
Hugo De León — 1983
Três títulos em dois clubes — o Nacional, em 1980 e 1988, e o Grêmio, em 1983 — e capitão na primeira conquista da história do clube brasileiro.
LB
Ricardo Pavoni — 1974
Cinco títulos pelo Independiente, o segundo maior número de sempre da prova, atrás só do companheiro de equipa Francisco Sá — um uruguaio a brilhar num clube argentino.
CDM
Semenewicz — 1973
Semenewicz ganhou quatro Libertadores pelo Independiente — mais do que qualquer outro médio da história da prova. Ocupa este lugar desde Setembro de 2026: o médio que o tinha até lá, Carlos Pachamé, tem três títulos pelo Estudiantes de La Plata (1968, 1969 e 1970), um número que ele próprio divide com outros três médios da competição — o Palhinha, o Rubén Galván e o Sebastián Battaglia. Um título a mais, e sem empate nenhum a dividi-lo, é o que decide. A carta é de 1973, o segundo dos quatro títulos do Independiente.
CM
Carlos Bilardo — 1969
O cérebro do mesmo Estudiantes tricampeão — e o homem que, anos mais tarde, seria campeão do mundo como treinador.
CAM
Pedro Rocha — 1966
O terceiro maior marcador de sempre da Copa Libertadores, com 36 golos — marcados a partir do meio-campo, e não da frente —, ao serviço do Peñarol, do São Paulo e do Palmeiras. É a carta mais disputada deste onze, e a disputa fica dita. No palmarés ele não ganha, mas também não é atropelado: são três Libertadores pelo Peñarol — 1960, 1961 e 1966 — contra as quatro do argentino Ricardo Bochini pelo Independiente, em duas eras separadas por nove anos, e as três de Juan Román Riquelme pelo Boca Juniors. Um título separa o primeiro do terceiro, e um título não decide uma posição. O que o põe aqui é o único eixo que mede o jogador e não a equipa dele: os golos. Riquelme marcou 25 na competição e Bochini nem sequer entra na tabela dos maiores marcadores de sempre, que desce até aos 28 golos. E a regra desta casa manda descontar os títulos ganhos dentro da equipa mais dominante da época, não premiá-los: três dos quatro de Bochini vieram do Independiente que ganhou quatro seguidas.
RW
Luis Cubilla — 1961
Cinco finais da Copa Libertadores disputadas — mais do que qualquer outro extremo direito que passou pela competição. Foram elas: 1960 e 1961 pelo Peñarol, ganhas as duas; 1966 pelo River Plate; 1969 pelo Nacional; e 1971, outra vez pelo Nacional, outra vez ganha. Três títulos, três clubes e dois países, com onze anos entre a primeira final e a última. Se o critério fosse o palmarés em bruto, o lugar seria do argentino Agustín Balbuena, que ganhou quatro vezes a prova pelo Independiente entre 1972 e 1975 — mas as quatro saíram do mesmo clube e da mesma série de quatro seguidas, e são quatro finais contra cinco. É a diferença entre acompanhar uma equipa dominante durante quatro anos e chegar à final da América com três camisolas diferentes ao longo de uma década.
LW
Juan Ramón Verón — 1969
"La Bruja" Verón ganhou três Libertadores seguidas pelo Estudiantes de La Plata, em 1968, 1969 e 1970. É o pai do outro Verón que devolveria o título ao clube quarenta anos depois, em 2009.
ST
Alberto Spencer — 1966
É o mesmo Alberto Spencer da carta de 100, e a posição de avançado desta prova não tem outra hipótese: 54 golos de sempre, o recorde absoluto. Esta carta de ícone é da época de 1966, o terceiro dos seus títulos pelo Peñarol; a de 100 é a de 1960, a edição inaugural que venceu sendo o melhor marcador do torneio.