No jogo, a Liga Europa é a segunda prova europeia de clubes, ao lado da Champions: 48 equipas, divididas em doze grupos de quatro, a duas voltas — casa e fora, tal como na Champions. Dali em diante é tudo eliminatório e quase sempre a duas mãos — dezasseis-avos, oitavos, quartos e meias —, com a final decidida num jogo só, em sede neutra. Ganhar tudo do início ao título são por isso quinze jogos sem perder, o selo do 15-0 desta prova: dois a mais do que o 13-0 da Champions, porque aqui o mata-mata começa um patamar mais cedo, logo nos dezasseis-avos. A UEFA trata esta competição e a antiga Taça UEFA como o mesmo troféu, com palmarés contínuo desde 1971-72.
É também a mais portuguesa das provas internacionais do jogo: o FC Porto foi campeão em 2003 e 2011, o Sporting CP foi finalista em 2005, o Benfica finalista em 2013 e 2014 — e a final de 2011 foi um Porto-Sporting de Braga, a única final europeia de sempre disputada entre dois clubes portugueses. Ao todo, os clubes portugueses somam sete finais nesta prova. A base de dados desta prova, no entanto, é mais estreita do que parece: só tem campeões e finalistas, os onzes das finais que decidiram o troféu, e mais nada. Há jogadores enormes na história da Liga Europa que ficam de fora só por isso — o Aritz Aduriz tem 26 golos na competição e ficou no banco na final de 2012, o Huntelaar tem 30 e nunca lá chegou. Não é uma falha da regra: é a regra a funcionar, porque o pantheon sai de quem a prova pôs nas suas finais, e mais ninguém.
Como em todas as provas do jogo, o 100 não é de quem fez a melhor campanha isolada — é de quem domina a HISTÓRIA da prova; a época da carta é só a que melhor o mostra, não o critério em si. Na Liga Europa esse jogador é o Radamel Falcao. E o pantheon tem uma assinatura própria: quatro dos onze ícones jogaram pelo Sevilha, que ganhou esta prova sete vezes — mais do que qualquer outro clube — e é o único clube da história europeia a vencê-la três anos seguidos, entre 2014 e 2016. Um onze desta competição sem uma boa fatia de sevilhistas descreveria outra prova. É também, dentro deste jogo, a prova mais fácil de esquecer: durante semanas esteve fora da lista de nomes das campanhas partilhadas, e uma campanha da Liga Europa aparecia só como «Campanha», sem ninguém dar por isso — porque não havia erro nenhum a assinalar, só um nome em falta.
O melhor de sempre da prova
Radamel Falcao — 2010-11
Radamel Falcao fez 17 golos numa só edição da Liga Europa — o recorde desta prova, empatado com os 17 do Cristiano Ronaldo na Champions de 2013-14 — em apenas 14 jogos, com golo incluído na final. A carta é da época de 2010-11, ao serviço do FC Porto, a mesma da única final europeia de sempre disputada entre dois clubes portugueses (Porto-Sporting de Braga). No ano seguinte, já no Atlético de Madrid e noutro país, voltou a ser o melhor marcador da prova, voltou a marcar na final — desta vez duas vezes — e voltou a ser campeão: 30 golos em 31 jogos, no total, com dois títulos seguidos por clubes diferentes.
GK
Walter Zenga — 1993-94
Walter Zenga soma 69 jogos na Taça UEFA — o 6.º maior número de sempre da prova, e o mais alto entre guarda-redes campeões — e dois títulos pelo Inter de Milão, com três anos de intervalo entre eles. A carta é da época de 1993-94, a do segundo título.
RB
Berti Vogts — 1978-79
Berti Vogts disputou três finais da Taça UEFA (1972-73, 1974-75 e 1978-79) e venceu duas — mais finais do que qualquer outro lateral da história da prova. A carta é da época de 1978-79, a do segundo título, e a única das três em que a ficha da final o coloca na posição em que de facto jogava.
CB
Giuseppe Bergomi — 1993-94
Giuseppe Bergomi é o recordista absoluto de jogos da Taça UEFA: 96 presenças, todas pelo Inter de Milão, com dois títulos e uma terceira final disputada. A carta é da época de 1993-94, a do segundo título.
CB
Daniel Carriço — 2015-16
Daniel Carriço foi titular nas três finais do tricampeonato do Sevilha (2014, 2015 e 2016) — três títulos seguidos, que bastam para o tornar o central mais titulado da história da prova. A carta é da época de 2015-16, a do terceiro título.
LB
José Antonio Camacho — 1984-85
José Antonio Camacho venceu a Taça UEFA duas vezes seguidas pelo Real Madrid (1985 e 1986) e é o único lateral-esquerdo de raiz entre os candidatos a esse palmarés — os outros jogadores com dois títulos jogaram naquela posição só por empréstimo, à ficha de um dia. A carta é da época de 1984-85, a do primeiro título.
CDM
Dino Baggio — 1994-95
Dino Baggio venceu a Liga Europa três vezes por dois clubes diferentes — Juventus em 1992-93 e Parma em 1994-95 e 1998-99 — e marcou cinco golos em finais desta prova, o número mais alto de toda a história da competição, empatado com Jupp Heynckes. A carta é da época de 1994-95 porque é a única das três finais em que a ficha o coloca mesmo como médio defensivo — nas outras duas alinhou extremo-direito (1992-93) ou médio (1998-99) — e foi nela que marcou dois dos cinco golos.
É a decisão mais disputada deste meio-campo, e por isso fica dita por inteiro. Fernando tem os mesmos três títulos — FC Porto em 2011, Sevilha em 2020 e 2023 —, com doze anos entre o primeiro e o último, mas não marcou nenhum golo em final nenhuma. Pela régua de desempenho que esta prova escreveu para si própria, em que um golo numa final é o desempate que mais pesa, o italiano fica à frente com folga. A ideia de que ele o conseguiu por jogar em equipas mais fortes também não se confirma: medidos contra a média da própria edição, os plantéis dos dois ficam a menos de um quarto de ponto percentual um do outro. O que sobrava a favor do Fernando era a duração — doze anos e dois países, contra seis de Dino Baggio —, mas é precisamente o que esta régua não pesa.
CM
Nicola Berti — 1990-91
Nicola Berti marcou na final de cada um dos dois títulos que ganhou pelo Inter de Milão — 1991 e 1994 —, um golo por conquista. Ocupa este lugar desde Setembro de 2026: o médio que o tinha até lá, Éver Banega, tem três troféus da Liga Europa em seis anos — mais do que qualquer outro médio da prova —, mas nenhum golo registado na evidência desta competição, nem em final nem fora dela. Pela régua desta casa, um golo dentro do mata-mata pesa mais do que um título a mais sem ele. A carta é da época de 1990-91, e não da de 1993-94 — o outro título do Berti —, porque essa já tem dois ícones do mesmo Inter, o guarda-redes Walter Zenga e o central Giuseppe Bergomi; o argumento, marcar na final de cada título, vale para as duas épocas por igual.
CAM
Enzo Maresca — 2006-07
Enzo Maresca venceu a Taça UEFA duas vezes seguidas e fez um bis na final de 2006, que o Sevilha ganhou por 4-0 — a maior goleada de sempre numa final a uma só mão desta prova. Um médio ofensivo a marcar dois golos numa final europeia é coisa rara em qualquer competição. A carta é da época de 2006-07.
RW
José Antonio Reyes — 2014-15
José Antonio Reyes é o recordista absoluto de títulos da Liga Europa: cinco, confirmados pela UEFA — dois pelo Atlético de Madrid (2010 e 2012) e três pelo Sevilha (2014, 2015 e 2016), no tricampeonato do clube. Morreu em 2019, aos 35 anos. A carta é da época de 2014-15.
LW
Jorge Valdano — 1985-86
Jorge Valdano venceu a Liga Europa duas vezes seguidas com o Real Madrid, em 1985 e 1986, e marcou três golos nessas duas finais — um na primeira, dois na segunda. A carta é da época de 1985-86, a final em que fez os dois golos.
A comparação que decidiu o lugar é com Vitolo, e fica escrita porque não é óbvia. O espanhol foi titular nas três finais do tricampeonato do Sevilha (2014, 2015 e 2016), sempre como extremo-esquerdo — mais um título do que Valdano —, mas não marcou nenhum golo em final nenhuma. Como esta competição só guarda os onzes das finais, marcar numa final é a única coisa que todos os jogadores dela tiveram igual oportunidade de fazer, e é por isso o critério que mais pesa quando se medem as notas: por ele, Valdano fica claramente à frente, e é essa a razão de a nota base dele ser mais alta. O contra-argumento habitual — o de que aquele Real Madrid era uma equipa muito mais forte do que a média — não sobrevive à medição: comparados com a média da própria edição, aquele Real Madrid e aquele Sevilha valem praticamente o mesmo, e a diferença entre os dois muda de sinal conforme a forma de contar. O que sobrava a favor do Vitolo era o palmarés com titularidade — três títulos contra dois, titular nas três finais que os decidiram —, mas é precisamente o golo na final, e não o número de títulos, que esta prova decidiu pesar mais.
ST
Jupp Heynckes — 1974-75
Jupp Heynckes marcou 23 golos em 21 jogos na Taça UEFA — o melhor rácio de golos por jogo de todo o top-18 de sempre da prova —, foi duas vezes melhor marcador da competição (1972-73 e 1974-75) e fez cinco golos em finais, tantos como o recordista. A carta é da época de 1974-75: campeão, melhor marcador da edição, e autor de um hat-trick na segunda mão da final — uma proeza que só voltaria a acontecer numa final de 2024.