A Serie A é uma liga, e no Legends XI joga-se como tal: vinte equipas, trinta e oito jornadas, todos contra todos, em casa e fora. Não há final que salve uma época nem sorteio que perdoe um mês mau — campeão é quem somar mais pontos ao fim da temporada. Vai de 1929-30, o ano do girone unico que uniu a Itália num único campeonato nacional pela primeira vez, até 2025-26, com o campeão, o vice e o terceiro classificado de cada época — noventa e quatro temporadas ao todo, porque 1943-44, 1944-45 e 1945-46 ficam de fora: a guerra parou a prova, e o campeonato de transição disputado em grupos que se seguiu não tem o formato desta competição. É também a única prova do jogo com um escândalo dentro da própria tabela: o Calciopoli despojou a Juventus dos títulos de 2004-05 e 2005-06 na vida real, mas este jogo não trata as duas épocas da mesma maneira — em 2004-05 a Juventus continua campeã nestes dados, e só a partir de 2005-06 é que o castigo aparece na tabela: o título foi entregue ao Inter de Milão, com o Milan a terminar em terceiro lugar com 58 pontos depois de um desconto de 30. O Legends XI não esconde o Calciopoli, mas modela-o de forma diferente em cada uma das duas épocas — a tabela de 2004-05 fica exactamente como ficou fechada nestes dados, com a Juventus em primeiro.
Cada prova do jogo tem uma carta de 100, e ela não é do melhor jogador que por aqui passou: é de quem domina a história da competição. Não se conta a melhor época isolada — contam-se os golos, os títulos e os recordes acumulados ao longo de décadas. A época escolhida para a carta é apenas a que melhor materializa esse domínio, e a régua é simples: tirando esse ano, continuaria a ser ele. Na Serie A esse critério aponta para um nome que não tem um único Scudetto — e é a excepção que confirma a regra: quando o recorde é grande o suficiente, pesa mais do que o palmarés. O nome é o Silvio Piola.
O melhor de sempre da prova
Silvio Piola — Lazio 1936-37
Duzentos e setenta e quatro golos na Serie A: é o recorde absoluto da prova, e ninguém — nem os avançados que jogaram décadas depois, com muitos mais jogos disputados — chegou perto. A carta é da época 1936-37, a do capocannoniere pela Lazio, que terminou esse campeonato em segundo lugar; a carta é dessa época na mesma, porque o que ela marca é o recorde e não o título. E é aqui que o critério desta casa mostra a face mais dura: ao longo de quase vinte anos de carreira, o Piola nunca ganhou um Scudetto — e continua a ser, mesmo assim, o nome que domina a história da competição, porque a régua desta prova pesa o recorde antes do palmarés.
GK
Gianluigi Buffon — Juventus FC 2015-16
Seiscentos e cinquenta e sete jogos e dez Scudetti — os dois recordes absolutos da prova, sem qualificação: o 657 não é só o recorde entre guarda-redes, é o maior número de jogos de sempre na competição — ao longo de uma carreira quase inteira na Juventus. A carta é da época 2015-16, em que esteve novecentos e setenta e quatro minutos sem sofrer um golo, um dos registos mais longos da história da competição.
RB
Javier Zanetti — Inter de Milão 2009-10
Seiscentos e quinze jogos pelo Inter de Milão — o recorde da prova para um jogador estrangeiro — ao longo de dezanove épocas na Serie A. A carta é de 2009-10, a temporada do treble: Scudetto, Taça de Itália e Champions League no mesmo ano, com o capitão em campo.
CB
Paolo Maldini — AC Milan 2003-04
Seiscentos e quarenta e sete jogos, o recorde da prova para um jogador de campo — e todos pelo mesmo clube, o AC Milan, do início ao fim de uma carreira de vinte e cinco anos. A carta é de 2003-04, a época em que o Milan foi campeão.
CB
Giorgio Chiellini — Juventus FC 2011-12
Nove Scudetti seguidos com a Juventus — um recorde que mais ninguém desta prova tem, nem perto. É o segundo dos dois centrais deste onze, ao lado do Paolo Maldini, porque nenhuma formação do jogo alinha com um central só. A carta é de 2011-12, a primeira dos nove títulos seguidos.
LB
Giacinto Facchetti — Inter de Milão 1965-66
Cinquenta e nove golos, o defesa mais goleador da história da prova — um número que nenhum lateral ou central desta competição ultrapassou, apesar de décadas de futebol jogadas depois dele. A carta é de 1965-66, no auge do Inter de Helenio Herrera, a Grande Inter que dominou a Europa a meio da década de 60.
CDM
Giuseppe Furino — Juventus FC 1974-75
Oito Scudetti em catorze épocas de pódio com a Juventus, o meio-campo defensivo de uma das gerações mais vencedoras da história do clube. A carta é de 1974-75, em plena sequência de títulos e pódios que fizeram da Juventus o clube mais bem-sucedido da década.
CM
Gianni Rivera — AC Milan 1967-68
Cento e vinte e oito golos, o recorde da prova para um médio-centro, e a Bola de Ouro de 1969, o prémio mais importante do futebol europeu nesse ano. A carta é de 1967-68, a meio de uma carreira feita quase inteiramente no AC Milan: estreou-se na Serie A pelo Alessandria, em 1958-59, e jogou lá duas épocas antes de rumar a Milão.
CAM
Francesco Totti — AS Roma 2006-07
O maior assistente da história da prova — as fontes divergem no número exacto, por isso fica sem ele — e o segundo melhor marcador de sempre, com duzentos e cinquenta golos, tudo pela AS Roma, o único clube de uma carreira inteira. A carta é de 2006-07, a época em que foi capocannoniere da Serie A e venceu a Bota de Ouro europeia.
RW
Giuseppe Meazza — Inter de Milão 1929-30
Duzentos e dezasseis golos na Serie A — quarto melhor marcador de sempre da prova, a par do Altafini — três títulos de capocannoniere e dois Scudetti, tudo isto ao serviço do Inter de Milão, de que foi a cara durante uma década inteira. A carta é de 1929-30, a primeira época do girone unico: o campeonato nacional italiano nasce com ele campeão. Há uma segunda época que vale exactamente o mesmo — 1937-38, o outro Scudetto, também com a carta no tecto da escala — e é ela que prova o critério desta casa: tirando o ano da carta, continuaria a ser ele. Escolheu-se a que abre a competição, porque a prova começa com ele no topo e oito anos depois ainda lá estava.
LW
István Nyers — Inter de Milão 1950-51
Capocannoniere da Serie A em 1948-49, o único húngaro deste onze e um dos primeiros grandes estrangeiros do futebol italiano do pós-guerra. A carta é de 1950-51, a época em que fez trinta e um golos pelo Inter de Milão, dois anos depois do título de melhor marcador.
ST
Gunnar Nordahl — AC Milan 1949-50
Cinco vezes capocannoniere da Serie A — o recorde absoluto da prova, que dura desde 1954-55 sem ninguém o ter igualado. A carta é de 1949-50, a época em que fez trinta e cinco golos em trinta e sete jogos pelo AC Milan, ao lado dos outros dois suecos do Gre-No-Li.