A Copa América é a competição de seleções mais antiga do mundo: 48 edições entre 1916 e 2024, mais velha do que o Mundial (1930) e do que o Euro (1960), e com mais edições do que os dois juntos. No jogo segue o desenho mais recente da prova, o de 2016 e 2024: 16 seleções, divididas em quatro grupos de quatro, numa só volta — três jogos, tudo no país anfitrião. Passam os dois primeiros de cada grupo, oito apuradas ao todo, sem repescagem nenhuma de terceiros — os terceiros vão todos para casa. Dali em diante é tudo eliminatório e a jogo único, sempre em campo neutro: quartos-de-final, meias-finais e final. A campanha perfeita desta prova é por isso um 6-0.
Como em todas as provas do jogo, o 100 não é de quem fez a melhor campanha isolada — é de quem domina a HISTÓRIA da prova. Aqui a régua é mais apertada do que nas outras: só duas medidas existem da mesma maneira em 1917 e em 2024, golos e títulos — as assistências não se registavam antes da era moderna, e o prémio de melhor jogador do torneio só é oficial desde 1987 — antes disso, é o nome que a RSSSF atribui retroativamente a cada edição, desde 1916. A época da carta é só a que melhor mostra o jogador, não o critério em si. Na Copa América, esse jogador é o Norberto Méndez.
O melhor de sempre da prova
Norberto Méndez — Argentina 1947
Divide o recorde de golos da prova — 17, com o Zizinho — mas fê-los em apenas três edições e ganhou as três: 6 golos em 1945, 5 em 1946 e 6 em 1947. É um ritmo de 5,7 golos por torneio, contra os 2,8 do Zizinho, os 2,0 do Messi e os 1,3 do Romano — o mais alto do topo da prova, por larga margem. A época é a de 1947, que fecha o tricampeonato e o consagra recordista absoluto de golos da competição, superando os 15 que eram até então o máximo, do Severino Varela e do Teodoro Fernández.
GK
Américo Tesoriere — Argentina 1921
Guarda-redes da Argentina campeã em 1921 e outra vez em 1925, e o homem que mais vezes chegou ao jogo que decidiu uma edição da prova: cinco, entre 1920 e 1925. Dois títulos é o máximo que um guarda-redes alcançou nesta competição, e são oito a dividi-lo — as cinco presenças são só dele, contra as quatro do Taffarel e as duas do Goycochea, do Emiliano Martínez e do Claudio Bravo. A época é a de 1921, o primeiro título argentino, ganho em casa sem sofrer um golo.
RB
José Nasazzi — Uruguai 1923
Campeão em quatro edições — 1923, 1924, 1926 e 1935 —, o palmarés mais alto de qualquer defesa da história da prova: nenhum outro zagueiro chega aos três títulos. A RSSSF credita-o ainda como melhor jogador do torneio em 1923 e em 1935, doze anos de intervalo — uma designação retroativa, e o prémio só é oficial desde 1987.
CB
Domingos da Guía — Brasil 1945
A carta de central mais alta da competição — 92, em 1945, quatro pontos acima da que vem a seguir. É o único argumento medido que esta carta tem, e não chega para decidir: o Domingos da Guía nunca ganhou a prova, foi vice-campeão em 1945 e outra vez em 1946, e treze centrais da competição ganharam-na duas vezes cada um — entre eles o Otamendi, o Lorenzo Fernández, o Aldair, o Gary Medel e o Oscar Ruggeri. É, por isso, a carta mais discutível deste onze, e fica dito.
CB
Heriberto Herrera — Paraguai 1953
Campeão em 1953, a única Copa América que o Paraguai venceu fora de casa, e apontado pela RSSSF como melhor jogador dessa edição — uma designação retroativa, e o prémio só é oficial desde 1987.
LB
Alcides Silveira — Uruguai 1959 (Equador)
Campeão na edição do Equador, autor de dois penáltis no 5-0 à Argentina que decidiu o título, e com a carta de lateral-esquerdo mais alta da competição — 88, um valor que divide com o Roberto Carlos. É o único eixo em que lidera, e está empatado: em títulos tem um, exactamente como o Nilton Santos, e fica atrás do Alfredo Foglino, lateral do Uruguai campeão em 1916, 1917 e 1920. Nenhuma medida deste jogo separa os candidatos a este lugar.
CDM
Obdulio Varela — Uruguai 1942
Nota mais alta entre os médios-defensivos da prova — 92, em 1942 —, campeão invicto nessa edição, oito anos antes de ser o capitão do Maracanaço. A RSSSF credita-o ainda como melhor jogador do torneio de 1942, uma designação retroativa: o prémio só é oficial desde 1987.
CM
José Leandro Andrade — Uruguai 1926
Conhecido como "A Maravilha Negra", é tricampeão da prova — 1923, 1924 e 1926 —, o palmarés mais alto da posição. A RSSSF credita-o ainda como melhor jogador do torneio em 1926, uma designação retroativa: o prémio só é oficial desde 1987.
CAM
Enzo Francéscoli — Uruguai 1995
Três vezes campeão — 1983, 1987 e 1995 —, e eleito o melhor jogador do torneio em 1995, já com o prémio oficial. A RSSSF credita-o ainda como melhor jogador de 1983, mas essa é uma designação retroativa, quatro anos antes de o prémio existir.
RW
Lionel Messi — Argentina 2021
Duas vezes eleito o melhor jogador do torneio — em 2015 e em 2021, esta última partilhada com o Neymar —, bicampeão em 2021 e 2024, e com 14 golos na prova — a Bota de Ouro de 2021 incluída. Fica com o 99 azul e não com o 100 vermelho: tirando as métricas que só a era dele tem, ficam os 14 golos e os dois títulos, contra os 17 golos e os três títulos do Méndez.
LW
Ángel Romano — Uruguai 1924
Recordista absoluto de títulos da prova, com seis — um número que a era moderna já não pode alcançar, porque entre 1916 e 1926 se jogaram dez edições em onze anos, e hoje a Copa América é de quatro em quatro anos. Foram mais 12 golos e duas vezes melhor marcador da prova, em 1917 e em 1920.
ST
Gabriel Batistuta — Argentina 1993
Bicampeão em 1991 e em 1993, melhor marcador da edição de 1991 e autor dos dois golos do jogo que decidiu a de 1993 — a carta de avançado mais alta da competição, 95, empatada com a do Méndez de 1947 no topo de todo o censo da prova. Foi a decisão mais disputada deste onze, e continua a sê-lo: o Teodoro Fernández, campeão em 1939, tem 15 golos na prova contra os 13 dele, e o José Piendibene, do Uruguai dos primeiros anos, tem três títulos contra dois — e os únicos avançados da prova com tantos ou mais já estão neste onze, o Romano com seis e o Méndez com três. A favor do Batistuta ficam os títulos contra o Fernández e a escala das notas contra o Piendibene; nenhum dos dois eixos o separa por muito.